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Diário de Classe: Júri simulado sobre a reforma da previdência em Maraã.

BlogJuri_SimuladodocxAo ministrar a disciplina de História do Brasil IV pelo Parfor, em Maraã, desafiei a turma 02 a promover uma aula interativa no município.

Visto que estávamos estudando a era Vargas, o desenvolvimentismo, a ditadura militar e a república pós constituição de 1988 apresentei a ideia de realizarmos um júri simulado da justiça brasileira julgando a proposta de reforma da previdência do governo Temer(PMDB).

Para tentar convencer a turma, argumentei “Ao longo da disciplina analisamos como os direitos trabalhistas e sociais foram tratados ao longo dos diferentes períodos da República brasileira, sabemos que  a maioria das pessoas não se interessam em acompanhar esse processo. Logo, temos que fazer a sociedade sentir essa História”

Depois desse discurso olhei atentamente a turma, eles olhavam uns para os outros meio desconfiados. Daí uma corajosa levantou a mão e disse “Professor isso aí não vai dar certo não, sabe por que? Temos pouco tempo pra ler, muita gente mora longe e para completar falta união na turma”.

Olhei fixo pra ela e respondi “Seja bem vinda ao ensino superior – fiz uma reverência – O que faz de nós professores, de fato, é a capacidade de superar as adversidades que o mundo nos impõe. Quero ver superarem a de vocês”.

Os olhares passaram a ser de apreensão, percebi o medo e a angústia pela expressão corporal e já começava a pensar que desse mato não sairia coelho nenhum, quando uma outra aluna pergunta “Mas professor, como seria esse júri simulado?”

Meio descrente respondi “A sala seria dividida em apenas duas equipes uma defendendo a reforma proposta pelo governo e outra acusando essa reforma de ser um ataque aos direitos previdenciários da classe trabalhadora, como o tribunal é um espaço formal e elitizado vocês deveram vir de roupa social ou a melhor roupa que tiverem, e claro, já que sou o professor dessa “bagaça” serei o Juiz”

Uma gargalhada se espalhou pela sala, o gelo foi quebrado, a ideia já estava passando a ser vista com bons olhos e resolvi botar a proposta para ser votada. Resultado, a maioria esmagadora aceitou o desafio. Organizamos as equipes e montamos um plano de estudo com as equipes em separado.

No mesmo dia conversei com o coordenador local sobre a atividade e a necessidade de realizar o evento em um espaço formal com microfone e ele apresentou duas opções o auditório da SEMED ou Câmara de Vereadores, optei pela segunda.

No segundo dia de acompanhamento o caos estava instaurado, ambas as equipes reclamando da falta de material para dividir o assunto numa equipe tão grande. Foi quando eu vi a magia acontecer, algo raro estava se apresentando bem a minha frente, a sala finalmente tinha se unido, mas era para me enfrentar e cancelar o júri simulado. Escutei atentamente todas as reclamações e no fim apresentei uma proposta intermediária “Estou vendo que a situação está difícil, a coisa tá tão séria que a sala até se uniu! -apresentei um sorriso sacana- Pois bem, tenho uma proposta intermediária, posso ajuda-los a encontrar as fontes para cada membro da equipe mas teremos que fazer os ensaios juntos e a nota será não por equipe mas para a sala inteira”

No auge dos conflitos ambas equipes concordaram, assim, a primeira parte do meu plano passava a funcionar, a turma se unindo para desenvolver um projeto coletivo, faltava agora dominar a leitura das pesquisas e perder o medo de falar em público. Aproveitei o momento de união para informar o local onde ocorreria o nosso evento.

Depois de acessarem o material e fazer a leitura foi necessário discutir abertamente a interpretação das fontes, muitos alunos não conseguiram compreender os detalhes da reforma e assim fui facilitando essa aprendizagem. Finalmente chegávamos a parte mas bacana do trabalho, o confronto de ideias. Antes de realizarmos o júri oficialmente fizemos duas prévias uma em sala de aula e outra na Câmara de Vereadores.

Quando entramos no plenário da Câmara Municipal fiquei espantado, o prédio estava completamente decrépito. As mesas dos vereadores eram apenas tabuas soltas em cima de uma estrutura de ferro, as paredes cheias de infiltração, o forro corroído pelo tempo, a descarga do banheiro era um balde de água, nunca tinha visto uma Câmara nessas condições. Quando finalmente iniciamos o ensaio a rivalidade voltou a tona, mas agora em torno de qual equipe argumentava melhor em favor da sua propositura.

Chegou o dia, o momento dos vera, a maioria da turma nem tinha dormido direito por conta da ansiedade. O plenário foi enchendo, logo de início expliquei para a comunidade que o evento era um Júri Simulado que buscava representar a justiça brasileira, ao mesmo tempo, uma atividade avaliativa do Parfor, e no final a comunidade poderia comentar ou fazer pergunta as equipes.

O julgamento foi estruturado em dez rodadas de intervenções seguindo esse roteiro: um argumento, um contra argumento e dois protestos. Em cada rodada era alternada a equipe que iniciava.

O júri começou e aos poucos a plateia presente foi se revoltando, dava para perceber os murmúrios, o silêncio foi rompido no meio do júri quando a equipe da defesa argumentou que o trabalhador deveria pagar o rombo da previdência. A plateia vaiou, fez plaquinha de protesto, xingou, foi necessário eu pedir ordem no recinto. Os ânimos foram se acalmando e chegou a vez da acusação, a equipe já chegou dizendo que não existia rombo na previdência e sim a cumplicidade do governo com os bancos e grandes empresas que não pagavam os impostos previdenciários e que agora o governo Temer queria empurrar essa fatura para a classe trabalhadora pagar. A plateia foi ao delírio e começou a gritar #FORATEMER #FORATEMER. Foi aí que eu tive a certeza que a plateia estava levando o debate a sério. Pedi ordem mais uma vez, falei em tom grosseiro que ali era um tribunal e que teria que retirar as pessoas que impedissem o julgamento. Os olhos ficaram tortos para o meu lado mas ainda assim obedientes, as rodadas foram passando até que chegamos na última etapa e a equipe de defesa resolve chamar para testemunhar nada mais, nada menos que o próprio Michel Temer. Derrepente um silêncio geral, que foi rapidamente rompido quando o aluno que ia interpretar esse papel se levanta e se dirige ao púlpito. O plenário vaiava, apresentava plaquinhas de protesto, feitas em folhas de caderno, gritava fora Temer. Tive que ficar de pé e falar firme mais uma vez para controlar os ânimos. O aluno que interpretou o Temer apresentou o discurso oficial do presidente ao defender a reforma da previdência em rede nacional. Finalizado os argumentos de cada equipe abrimos espaço para a plateia se pronunciar e foi uma chuva de desabafos e falas revoltadas.

Era chegado o momento de dar o veredito final, todos estavam atentos, pedi para que as equipes fizessem suas considerações finais. A plateia já se arrumava para ir embora, nesse momento eu pensei agora é a hora de ligar educação, ficção e a realidade.

“Quero agradecer a presença de todas as pessoas que vieram prestigiar a prática integrada da disciplina de História do Brasil IV. Nossa proposta foi apresentar uma História viva que tocasse no cotidiano das pessoas do município, por isso, parabenizo as duas equipes que debateram de maneira tão brilhante o tema da reforma da previdência ao ponto de envolver todos os presentes nesse evento. Quero parabenizar também a participação constante dessa bela plateia, nesse momento estou interpretando um Juiz e por isso precisei ser duro, mas a vontade era estar aí com vocês gritando em auto e bom tom #FORATEMER. Agradeço também ao empenho da coordenação na pessoa do Benedito que ornamentou esse espaço e fez uma verdadeira transformação. Sem mais delongas, vou anunciar o veredito final e incorporar novamente o meu personagem. A equipe que venceu o Júri Simulado sobre a reforma da previdência foi a – uma pequena pausa para ampliar a ansiedade – defesa. Pois dentro do grande acordo nacional a “nova ordem” envolve o congresso, o senado, a presidência e até mesmo o supremo tribunal de justiça”.

 

Vencedores e derrotados olharam para mim sem entender, a plateia veio em minha direção para questionar o resultado final e agora fora do personagem expliquei “Senhoras e senhores, estávamos aqui simulando como funciona a justiça brasileira em relação aos direitos da classe trabalhadora. Ou seja, o grupo que iria vencer já estava definido desde o início. Vamos refletir juntos, a justiça vetou a reforma trabalhista que tira direitos dos trabalhadores? Vetou a reforma do ensino médio que precariza a escola pública? Vetou a PEC da morte que congela o repasse de recursos para saúde, educação e outros serviços básicos por 20 anos? E o que lhes levou a achar que essa justiça estaria contra a reforma da previdência? “

As equipes e a plateia me olharam descrentes e alguém no meio da multidão conclui “Então é por isso que o Brasil nunca vai pra frente” em seguida eu respondo “Eis a função da história, ela tira o véu que cobre os nossos olhos e a partir disso somos convocados a nos tornar sujeitos históricos e lutar diretamente contra esse tipo de prática que vem se repetindo ao longo do tempo mas com novas roupagens. Em fim, conhecimento é poder!”

 

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Projeto Educativo “Patrimônio Cultural Nacional: Encontro das águas”

Encontro das aguas

O projeto organizado pelo professor Jonas Araújo (História) será realizado pelos alunos dos primeiros anos do ensino médio das escolas estaduais Gilberto Mestrinho e Isaac Sverner. O objetivo principal é fazer com que conheçam o Encontro das águas, localizado no bairro da Colônia Antônio Aleixo, zona leste de Manaus.

Atualmente o Brasil conta com dezoito bens inscritos na lista do Patrimônio Cultural Mundial. A nível nacional, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tombou o encontro das águas como um patrimônio cultural nacional. Os estudantes, organizados em grupos, deveram pesquisar sobre esse bem e criar uma campanha publicitária visando sua proteção e conservação.

ROTEIRO

  1. Elaborar um mapa indicando o município em que o bem cultural está localizado.
  2. Produção de textos diversos (como poesias, crônicas, notícias, textos históricos) sobre esse bem.
  3. Organizar uma sequência de imagens sobre o Encontro das àguas.
  4. Elaborar ou encontrar um vídeo curto sobre ele.
  5. Criar um jingle para a campanha.
  6. Criar também um cartaz e um lema para a campanha. Exemplo de lema: “Conheça e valorize o nosso patrimônio!”.
  7. Postar o trabalho na página Sujeito Histórico e no blog jonasojuara.wordpress.com

Sugestões de fontes de pesquisa:

http://movimentososencontrodasaguas.blogspot.com.br/

http://oglobo.globo.com/brasil/tombamento-do-encontro-das-aguas-em-manaus-aprovado-em-definitivo-2930076

http://www.editoramagister.com/doutrina_27090475_O_ENCONTRO_DAS_AGUAS_ENTRE_OS_RIOS_NEGRO_E_SOLIMOES_COMO_PATRIMONIO_CULTURAL.aspx.

 

Nota

Artigo publicado na revista dos anais do PCE

“A construção da identidade de sujeitos históricos a partir de atividades e dinâmicas sóciointeracionistas

Jonas Araújo Pereira JÚNIOR, Nátaly Ramos GAMA, Yasminy dos Santos BARAÚNA, João Mateus dos Santos RIBEIRO, Kleverson da Costa ALVES, Linniver Maciel de SOUZA

 

Resumo

 

Esse artigo analisa a experiência de alfabetização científica do projeto “A construção da identidade de sujeitos históricos a partir de atividades e dinâmicas sóciointeracionistas” implementado nas turmas de 9º ano da Esc. Mul. Arthur Engrácio da Silva. Ele discute as características socioeducativas dos estudantes, a metodologia no ensino de História e a estrutura do livro didático do projeto Araribá de História.

artigo completo: http://pce.inpa.gov.br/index.php/RCE/article/view/270

PCE 2015 – Registro fotográfico: um olhar etnográfico do bairro Nova Floresta

logo_HProfessor Jovem Cientista PJC – Jonas Araújo Pereira Júnior
E-mail: ojuara.jonas@gmail.com
Página no facebook: Sujeito Histórico
Blog: jonasojuara.wordpress.com

Motivação para o Desenvolvimento do Projeto

Nos anos de 2013 e 2014 durante a realização dos projetos “A construção da identidade do sujeito histórico a partir da produção de vídeo documentário sobre a realidade escolar” e “A construção da identidade de sujeitos históricos a partir de atividades e dinâmicas sócio- interacionista” percebeu-se que a grande maioria dos educandos tem dificuldade em refletir sobre o espaço em que vive. Para superar essa dificuldade, esse projeto dará um enfoque mais direto sobre o espaço onde se vive. Em função de tudo isso, esperamos com esse projeto realizar o registro fotográfico do bairro Nova Floresta aos moldes dos registros etnográficos.

Objetivo Geral

Refletir sobre o poder da imagem na representação de uma realidade em um determinado tempo histórico.

Metas

Meta 1: Realizar, no primeiro bimestre, levantamento bibliográfico sobre o registro fotográfico etnográfico.
Meta 2: Aplicar, no segundo bimestre, o processo de registro das fotografias no Bairro Nova Floresta.
Meta 3: No último bimestre do projeto, realizar oficinas com toda a comunidade educativa apresentando os resultados da pesquisa.

METODOLOGIA

Visto que a pesquisa tem o objetivo de realizar o registro etnográfico do bairro Nova Floresta por meio de fotografias, utilizaremos no primeiro momento a tomada de conhecimento da bibliografia por parte dos educandos sobre a pesquisa científica. Trabalharemos com atividades e dinâmicas em todas as etapas para que os educandos e bolsistas se familiarizem com a metodologia que está sendo proposta. A ideia é que essa prática de estudo se torne corriqueira e ao mesmo tempo atraente para os estudantes. Ao fim do projeto esperamos que os educandos sejam capazes de aplicar, reconstruir e até criar registros etnográficos alinhados as habilidades, competências e conteúdos da disciplina de História.

Para atender tais expectativas iremos adotar o método de pesquisa qualitativa, pois dela faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo. Assim, é frequente que o pesquisador procure entender os fenômenos, segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada e, a partir daí situe suas interpretações dos fenômenos estudados. Faremos também registro fotográfico e audiovisual das nossas observações nos trabalhos de campo. Após a sistematização de todos esses dados levantados partiremos para a apresentação dos resultados na escola, bem como a elaboração do relatório a ser entregue a FAPEAM.

Calendário do mês de Julho do projeto “Registro fotográfico: um olhar etnográfico do bairro Nova Floresta”

PCE 2015: Julho

06, segunda-feira

  • Volta às aulas.

09, quinta-feira

  • 9h45 – Encontro de formação e retomada das pesquisas dos bolsistas.
  • 13h – Visita técnica dos bolsistas a Esc. Mul. Arthur Engrácio da Silva. Apresentar o sigfapeam para os bolsistas.

13, segunda-feira

  • 8h às 12h Oficina sobre foto etnografia.
  • 13h às 15h Elaboração do material sobre produção de artigo científico para revista do PCE.

15, quarta-feira

  • 8h – Oficina de execução financeira e prestação de contas.

21, terça-feira

  • 8h – Oficina de relatório técnico científico.

22, quarta-feira

  • 8h às 10h – Oficina sobre técnicas de fotografia.
  • 13h às 17h – Prática de campo no bairro Nova Floresta.

30, quinta-feira

  • 8h às 11h – Oficina sobre técnicas de fotografia.
  • 13h às 17h – Prática de campo no bairro Nova Floresta.

31, sexta-feira

  • Circuito da ciência.

Jogos Vorazes de História: II Guerra Mundial (1º Etapa)

PCE 2014: Jogos Vorazes de História

Objetivo Geral: Dinamizar e aproximar os estudantes da rede pública da leitura e interpretação do livro didático.

Objetivos Específicos:

  • Aprimorar a leitura individual e em grupo;
  • Ampliar o poder de interpretação de textos e imagens;
  • Aplicar de maneira cênica o que foi estudado em sala de aula.

Metodologia:

A turma será dividida em equipes de 6 integrantes. Cada equipe deverá escolher um nome e entregar ao professor. As equipes participarão de uma bateria de atividades divididas em: 1ºFase – Leitura e interpretação; 2º Fase – Análise de imagem; 3º Fase – Teatro mudo.

ESTUDANDO HISTÓRIA PARA O ENEM E UEA

Ao iniciar as aulas do pré-vestibular vamos conhecer uma forma de estudar diferente da escola convencional, nosso objetivo maior será conhecer as questões de vestibulares e aprofundar nossa capacidade de interpretação textual. O projeto “De olho no vestibular” tem como meta trabalhar as provas do ENEM e da UEA, por isso nossa primeira missão será conhecer as características dessas avaliações.

 O ENEM e a Área de Ciências Humanas

Para inicio de conversa as questões do ENEM são divididas por áreas do conhecimento, as de História estão na Área de Ciências Humanas, contudo não existem questões específicas de História. Em uma questão é cobrado conhecimentos de História e Geografia, já na outra além dessas, é adicionada conhecimentos de Sociologia, Filosofia, Atualidades ou mais. Por isso, para estudar para essa prova não basta conhecer o conteúdo de uma disciplina, é necessário saber relacionar com as outras matérias e essa capacidade é chamada de interdisciplinaridade. Outra característica das questões dessa área de conhecimento é que quase todas são puramente interpretativas o que levou essa prova a ser apelidada carinhosamente de síndrome da esfinge “Decifra-me ou te devoro”.
A vantagem desse modelo de avaliação é que não exige do candidato que “decore” todos os contextos históricos, pois eles estão presentes nas questões, contudo, o que torna difícil é que os textos são longos e exigem interpretação rápida, prática pouco comum no ensino público brasileiro. Uma dica para resolver esse modelo de avaliação é conhecer a estrutura das questões e depois dividi-la em pedaços:

Q1

Identificado a estrutura macro da questão é hora de conhecer os detalhes, para isso, recomendo os seguintes passos:

  1. 1.    Quais os assunto(s) presentes no enunciado da questão e de que forma são abordados?
  2. 2.    Identificar o comando da questão?
  3. 3.    Qual alternativa corresponde ao que foi solicitado? Justifique a sua resposta
  4. 4.    Apresente, em sua opinião, o grau de dificuldade dessa questão.

O primeiro passo é fundamental, pois na maioria das vezes o vestibulando fica tão assustado com o tamanho do texto presente na questão e acaba esquecendo que ele é na verdade uma pista para ajudar a resolver o que foi solicitado no comando da questão. Vamos analisar o exemplo a baixo:

Q2 Q3

 A UEA e as questões de História

 A estrutura da prova da UEA é mais simples do que a do ENEM, mas isso não quer dizer que seja mais fácil. Nesse vestibular o aluno é avaliado principalmente no domínio do conteúdo e de conceitos da matéria de história, por isso trabalharemos com aulas expositivas paralelas a analise de questões.

 Metodologia das aulas de história

 Em nossas aulas trabalharemos diretamente no exercício das HABILIDADES e COMPETÊNCIAS, afinal de contas é nisso que os candidatos serão avaliados no ENEM, para tanto a aula não seguirá uma linha cronológica da história, mas será baseada em eixos temáticos que iram misturar passado/presente.

 EIXO 01: FORMAS DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL, MOVIMENTOS SOCIAIS, PENSAMENTO POLÍTICO E AÇÃO DO ESTADO.

Conteúdo:

  • Cidadania e democracia na Antiguidade;
  • Estado e direitos do cidadão a partir da Idade Moderna; democracia direta, indireta e representativa.
  • Revoluções sociais e políticas na Europa Moderna.

Objetivos específicos:

  • H07 – Identificar os significados histórico-geográficos das relações de poder entre as nações
  • H11 – Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
  • H12 – Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.

Nota

Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

martin-luther-king_-_i_have_a_dream“Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.

Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.

Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.

Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com “fundos

insuficientes”.

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.

Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.

Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.

Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, “Quando vocês estarão satisfeitos?”

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte,

sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de  fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

“Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!”

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New

Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

“Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo poderoso, nós somos livres afinal.” EU TENHO UM SONHO

Inicio da colonização da Amazonia