Historia com Farinha

Arquivo para a categoria ‘Educação’

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA: OS OLHARES DA JUVENTUDE SOBRE A QUESTÃO DE GÊNERO

Projeto aprovado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Amazonas por meio do Programa Ciência na Escola. Nosso objetivo é promovera alfabetização científica dos estudantes analisando a questão de gênero na escola e na sociedade ao longo do tempo.

Objetivo Geral

Promover a reflexão sobre a questão de gênero na escola a partir do debate político pedagógico.

Introdução

A questão de gênero está presente em todas as relações sociais da história. Há quem diga inclusive que representam uma relação de poder e legitimação do status quo, conforme apresenta Costa et al. (2012). Logo, está intrinsicamente ligada as relações de poder presentes no conteúdo programático de história.  A escolha dessa temática irá contribuir para que apartir da análise de sua própria realidade os estudantes possam refletir sobre a questão de gênero nos diversos tempos históricos.

Esse exercício tem sido feito por vários historiadores contemporâneos, como nos lembra Maria Stefanou, no seu artigo “Instalando maneiras de ser, conhecer e interpretar” onde explica que a análise do vivido deve ser acompanhada pela compreensão de como se produz conhecimento histórico, reconstruindo com os alunos os critérios a partir dos quais os historiadores problematizam a realidade e elaboram explicações. Estudantes e professores, sujeitos concretos, em um tempo-espaço determinado, ocupando posições e estabelecendo relações sociais específicas, problematizam e interrogam o passado, bem como as diferentes interpretações desse passado, elaborando outras leituras da História.

Esse projeto será desenvolvido com bolsistas do Ensino de Jovens e Adultos, pois nesse período os estudantes devem ter domínio de noções e conceitos relacionadas a cidadania, relações de poder; cidade-estado; direitos; relações temporais; burguesia; democracia; movimento popular; iluminismo; revolução; modos de produção; direitos (liberdade, igualdade, direitos sociais).

No link a baixo você poderá ter acesso ao questionário da nossa pesquisa.

 

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd1LT86PurNunRyJB0YRxI8iA52v5TTMN1kEEuXztzYUPzfOQ/viewform

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Projeto Educativo “Patrimônio Cultural Nacional: Encontro das águas”

Encontro das aguas

O projeto organizado pelo professor Jonas Araújo (História) será realizado pelos alunos dos primeiros anos do ensino médio das escolas estaduais Gilberto Mestrinho e Isaac Sverner. O objetivo principal é fazer com que conheçam o Encontro das águas, localizado no bairro da Colônia Antônio Aleixo, zona leste de Manaus.

Atualmente o Brasil conta com dezoito bens inscritos na lista do Patrimônio Cultural Mundial. A nível nacional, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tombou o encontro das águas como um patrimônio cultural nacional. Os estudantes, organizados em grupos, deveram pesquisar sobre esse bem e criar uma campanha publicitária visando sua proteção e conservação.

ROTEIRO

  1. Elaborar um mapa indicando o município em que o bem cultural está localizado.
  2. Produção de textos diversos (como poesias, crônicas, notícias, textos históricos) sobre esse bem.
  3. Organizar uma sequência de imagens sobre o Encontro das àguas.
  4. Elaborar ou encontrar um vídeo curto sobre ele.
  5. Criar um jingle para a campanha.
  6. Criar também um cartaz e um lema para a campanha. Exemplo de lema: “Conheça e valorize o nosso patrimônio!”.
  7. Postar o trabalho na página Sujeito Histórico e no blog jonasojuara.wordpress.com

Sugestões de fontes de pesquisa:

http://movimentososencontrodasaguas.blogspot.com.br/

http://oglobo.globo.com/brasil/tombamento-do-encontro-das-aguas-em-manaus-aprovado-em-definitivo-2930076

http://www.editoramagister.com/doutrina_27090475_O_ENCONTRO_DAS_AGUAS_ENTRE_OS_RIOS_NEGRO_E_SOLIMOES_COMO_PATRIMONIO_CULTURAL.aspx.

 

Professor de História de Manaus escreve carta denunciando os riscos da MP que reforma o ensino médio.

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publicado originalmente em: 05/11/2016

Carta aos estudantes, pais e professores do Amazonas.

O atual presidente da república, Michel Temer, do PMDB, publicou a medida provisória 746 (MP -746), que ataca diretamente a escola pública brasileira. Enquanto professor jovem-cientista, educador e militante da educação me sinto na obrigação de desmascarar os interesses por trás dessa chamada “reforma do ensino médio”.

O primeiro ponto a ser destacado é que a reforma estabelece a organização do currículo nas seguintes áreas do conhecimento: I Linguagens; Matemática; Ciências da Natureza; Ciências Humanas e; V Formação Técnica e profissional.
Obriga os sistemas de ensino a oferecerem o ensino de língua portuguesa e matemática nos três anos do ensino médio e as outras áreas ficam opcionais.

Em outras palavras, essa medida torna legal o corte da área de Ciências da Natureza e Ciências Humanas no ensino médio. Isso quer dizer que a escola pública fica mais pobre de conhecimento e a escola privada mais rica.
Se nos dias atuais já é difícil um estudante da rede pública acessar as universidades estaduais e federais, com esse novo “modelo” vai ficar praticamente impossível.

De acordo com a MP, o ensino de artes e educação física será obrigatório apenas no ensino fundamental.Na visão do PMDB e seus aliados, essas disciplinas não contribuem diretamente para o mercado de trabalho. Contudo, a maioria dos estudantes que acessam o ensino médio, chegam com cerca de 15 anos de idade. Ou seja: estão na adolescência, com todos os sonhos e problemas específicos dessa fase da vida – e essas disciplinas cumprem o importante papel de apresentar aos jovens um outro olhar sobre o processo de ensino e aprendizagem.

Outro ponto a ser destacado é que essa “reforma” agride diretamente a Lei de Diretrizes e Bases da educação, pois retira da comunidade educativa o direito de participar das decisões sobre o formato da Escola, portanto, é antidemocrática.

Agora, sem sombra de dúvida, a prova concreta que esse governo não tem compromisso com a educação pública é o fato dessa MP estabelecer que qualquer pessoa sem formação adequada pode se tornar professor por “notório saber”.

Isso é muito grave!

Eles querem contratar professores sem nível superior para pagar salários mais baixos (e olha que o salário atual já é uma vergonha).

O atual governo quer doutrinar a juventude, os professores e a escola pública para serem submissos à vontade de um grupo que não tem compromisso com o desenvolvimento do Brasil.

É chegada a hora de tomarmos uma posição. De qual lado você quer estar? De uma escola pública de qualidade ou de uma escola sucateada?

Quando o Estado dita regras que agridem a vida das pessoas, a desobediência civil se torna um dever moral!

Jonas Araújo
Professor Jovem Cientista
Professor Semed e Seduc

Prêmio Professores do Brasil

O Prêmio Professores do Brasil é uma iniciativa do Ministério da Educação que, por meio da Secretaria de Educação Básica juntamente com as organizações parceiras, está na 9ª edição.

A meta é reconhecer, divulgar e premiar o trabalho de professores de escolas públicas que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula.

Todos os professores de escolas públicas da educação básica podem se inscrever enviando um relato do trabalho desenvolvido com uma turma de alunos.

Sabemos que registrar uma experiência, um processo vivido ou mesmo uma conversa entre alunos e professores é uma forma de sistematizar o conhecimento do professor. Assim, além de participar do processo de premiação, os professores desenvolvem um exercício de reflexão sobre a própria prática o que garante o aprimoramento dos processos de ensino e aprendizagem.

Ou seja, independentemente do processo de seleção, a participação dos professores é um caminho para a busca da qualidade na educação, compromisso de todos os educadores!

 

Maiores informações no site: http://premioprofessoresdobrasil.mec.gov.br/

Link para a revista do Programa Ciência na Escola

Para você que quer conhecer sobre a experiência de alfabetização cientifica no Amazonas, visite os Anais do Programa Ciência na Escola.

http://seer.ibict.br/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=2504&Itemid=109logo_H

Luis Fernando analisando imagens sobre a Revolução Francesa

PCE_FAPEAM/2014: Diário de um projeto parte 01

Iniciando as atividades do PCE/FAPEAM na Escola Municipal Arthur Engrácio da Silva, realizamos encontros formativos para apresentar os objetivos e metas do projeto. Esse momento foi pensado para fazer com que a comunidade educativa compreendesse a importância dessas atividades no seio do ambiente escolar.

O Programa Ciência na Escola financia projetos que visam trabalhar a alfabetização cientifica no ensino básico da rede pública do Amazonas, assim, nosso primeiro encontro reuniu os professores para conhecerem a metodologia do projeto e os alunos bolsistas.

O tema do nosso projeto é “A construção da identidade de sujeitos históricos a partir de atividades e dinâmicas sócio- interacionista” e tem por objetivo analisar a influência dos jogos e atividades no processo de aprendizagem da história no 9º ano do fundamental.

Essa não é a primeira experiência do programa na escola, em 2013 desenvolvemos um projeto ligado a produção de áudio visual, onde selecionamos além dos habituais alunos bolsistas outros voluntários o que provocou muitas mudanças no seio da comunidade educativa.

 

Apresentando o projeto para os professores

Ao iniciar o encontro de apresentação do projeto do PCE 2014 ficou claro que os professores ainda não se sentem envolvidos pela proposta do programa, muitos inclusive questionaram os critérios de seleção para alunos bolsistas e voluntários. Boa parte entende, que esse tipo de projeto só pode ser realizado por alunos de excelência, que deveriam ter as seguintes características:

  • Comportamento impecável.
  • Notas azuis.
  • Aceitar ordens sem questionamentos.
  • Aceitar as metodologias de aula sem reclamar.
  • Que entendam os conteúdos da mesma maneira que os professores explicam.

Discordando dessa perspectiva apresentamos uma visão de que a escola pública não foi feita para ter suas turmas repletas desse tipo de aluno e que para inovar nessa nossa realidade é necessário pensa-la sem romantismo e com o estudante real e não apenas o ideal. O saldo desse primeiro encontro foi de que ainda é um desafio muito grande pensar a inovação educacional na atual realidade da escola pública em Manaus.

SINTEAM: O sindicalismo amarelo no Amazonas

Manaus – Amazonas – Brasil – 07.05.2014
Por Gleice Antonia de Oliveira

A ASSEMBLEIA REALIZADA PELO SINTEAM NA TARDE DE ONTEM É REJEITADA PELA BASE AMPLA DA CATEGORIA. Vejamos:
1. O Edital de convocação da assembleia foi publicado no mesmo dia da realização com apenas algumas horas de diferença, fato que não permitiu a divulgação à base da categoria;
2. Mesmo com pouco tempo o coletivo de oposição EDUCADORES EM LUTA trabalhou intensamente e conseguiu fazer a informação chegar a uma parcela da categoria que se dirigiu ao local, mas passou pelo constrangimento de ter cerceado de forma grosseira e ilegal sua participação (fotos amplamente divulgadas!);
3. A direção do Sinteam, retardou a publicação do Edital, mas trabalhou rápido para fretar ônibus e trazer representantes de municípios do interior (mas a parcela foi mínima diante do total de 62 municípios do AM) e, mesmo assim, presenciamos grupos de professores se retirando por discordar dos métodos e das propostas ali apresentadas;
4. A direção do Sinteam atuou como emissários subservientes do governo ao invés de cumprirem sua obrigação de lutar por melhorias na qualidade de trabalho e de salário de uma categoria que os elegeu para isso e que acumula há anos perdas salariais, desrespeito à sua data base, desrespeito a direitos trabalhistas, etc. Sabemos perfeitamente que o que foi aprovado não são 10% de reajuste na forma como foram apresentados, são apenas míseros 5% de reajuste para 2014 e 5% para 2015. Lógico que esse percentual não repõe sequer as perdas inflacionárias dos últimos 12 meses (Abril/13-março/14) que chegou a 6,15% segundo o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA-IBGE) e de 6,78%, segundo o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (DIEESE);
5. Se a situação dos professores da ativa é essa vergonha, a dos colegas aposentados consegue ser ainda pior. 5. Registre-se que, também de forma ilegal, a direção do Sinteam cria dificuldades e empecilhos para a sindicalização ou para o desconto em folha da contribuição sindical.
6. É lamentável e vergonhoso, mas é fato que dentro de nossa categoria existam pessoas que invistam na alienação e no divisionismo quando todos sabemos que só unidos poderemos fazer frente à pelegagem instalada na direção do nosso sindicato e aos governos-patrões que vampirizam nossa força de trabalho, nosso entusiasmo e nossa criatividade. Mas é certo que não estamos anestesiados, bem ao contrário, nossas ultimas manifestações públicas bem demonstram nosso estado de ânimo e as conversas e trocas de opiniões nas escolas nos fortalecem ainda mais.
Pelegos, governos-patrões, divisionistas, TREMAM porque nossa ação será devastadora com os que nos exploram e nos oprimem!!!!!

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Teatro da vida: O papel do educador.

*Jonas Araújo Pereira Júnior

Ao refletir sobre o “papel do educador” dentro da sala de professores de qualquer escola pública é comum ouvir afirmações do tipo “Há, eu já fui assim, isso é só fogo de inicio de carreira” ou então “Quero ver manter essa animação depois de entrar na turma tal”. Essas e outras afirmações são feitas pois no Brasil a educação possui duas faces: a educação prevista e a educação real.

Mesmo assim, arrisco a dizer que é possível desempenhar uma papel protagonista nesse espetáculo que foi transformado a educação brasileira. Não sou do tipo de pessoa que espera pelo reconhecimento da importância da educação por toda a sociedade, sei que a maioria frequentou uma escola que era pouco atrativa e nada tinha a dizer sobre a realidade, mas parafraseando Paulo Freire (2001) “creio que a melhor afirmação para definir o alcance da prática educativa em face dos limites a que se submete é a seguinte: não podendo tudo, a prática educativa pode alguma coisa.”

Os cursos de licenciatura no Brasil tem se preocupado em produzir profissionais competentes na educação prevista (PCNs, LDB, curriculum escolar e etc.), contudo, ao entrar na sala de aula se deparam com educação real, por exemplo, no Amazonas a grande parte dos professores sofrem assédio moral por parte das secretárias de educação em função da conhecida aprovação automática de no mínimo 85% dos alunos nas escolas. Eis aí a contradição da educação brasileira a educação prevista se preocupa com as habilidades e competências dos educandos e a educação real se preocupa com o índice de aprovação dos “clientes”.

Essa contradição somada à desvalorização da carreira do magistério constrói um campo aberto para o pacto da mediocridade que pode ser observado na imagem a baixo.

Imagem

Uma educação medíocre produz pessoas com pensamentos, comportamentos e visões medíocres. O garotinho da imagem por exemplo, chega a conclusão de que a única forma de protestar contra o governo é não lendo jornais, nem acompanhando questões complexas e muito menos votando, ou seja, ele está abrindo mão da CIDADANIA. O questionamento que veio a minha cabeça ao analisar tal figura foi …

…Qual o papel do educador nesse cenário?”.

Acredito que assim como é inadequado pensar em estudantes ideais para organizar currículos, programas e planos de aula, é inadequado pensar o professor ideal para responder aos desafios atuais da educação. Em certo momento da vida Pierre Bourdieu disse “Quem detém a educação, deterá o futuro, pois é o lugar em que se faz o outro pensar como as autoridades querem”.

Na minha pouca experiência com a educação creio que o papel do educador é passar a desbravar essa realidade e apontar possibilidades. Paulo Freire dizia que o ato de ensinar está vinculado ao de aprender, é relacional e exige rigorosidade metódica, é o ato de arriscar-se com o novo e rejeitar qualquer forma de descriminação. Na escola, essa perspectiva implica articular o ensino e a aprendizagem, o conteúdo e a forma de transmiti-lo.

Não tenho uma saída mágica para resolver esse impasse, mas creio que o ponto de início deve ser o fim de afirmações do tipo “Há, eu já fui assim, isso é só fogo de inicio de carreira” ou “Quero ver manter essa animação depois de entrar na turma tal”. Afirmações desse tipo são frutos da contradição educacional. O professor ao concordar com elas na verdade esta comendo desse fruto, ao repetir esta semeando, sugiro então que passemos a buscar uma nova cultura para semearmos nas escolas.

Minha cachaça é a sala de aula…

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por Jonas Araújo

Quando ouvi essas palavras já tinha terminado a faculdade, era o I Congresso de Estudantes de História da UFAM, eu já tinha participado de diversos congressos a nível local, nacional e internacional mais era a primeira vez que estava na mesa e agora quanto professor “cheirando a leite” como diria minha querida Ruth.

Não lembro bem o título da mesa, se não me engano era “O papel do historiador na sala de aula”, mais de um lado estava o professor mestre Macário Carvalho(na época um dos mais novos do departamento de história), no centro a professora doutora Maria Eugenia(que sinceramente dispensa apresentações) e no outro lado eu representando o professor de educação básica. Foi quando a professora pegou o microfone olhou pra plateia e disse “-Gostaria de pedir licença de todos os estudantes e futuros professores aqui presentes, não venho aqui fazer um discurso altamente teórico sobre a prática de ensino de História, venho lhes dizer por que estou a tanto tempo em sala de aula, e devo confessar a minha cachaça é a sala de aula…”. Nossa! Aquelas palavras ganharam um eco dentro de mim sem precedentes e hoje, passado 5 anos, creio que na verdade era uma espécie de vírus intelectual transmitido por força das palavras.

Já são 5 anos nessa cachaça e devo dizer “já tô leco leco”, como diria o professor Raimundo do Thiago de Mello, e no alto dessa embriagues percebi algumas coisas desse meu vício nada convencional. Na educação básica, seja na rede pública ou privada, a carência dos estudantes do ponto de vista afetivo, cultural e intelectual é tão grande que na maioria das vezes o reconhecimento pelas atividades desenvolvidas só aparecem depois que os estudantes não estão mais na mesma sala que a minha.

Certa vez fui almoçar em um restaurante e encontrei com uma ex-aluna de certa escola particular que trabalhei. Já era 13h da tarde estava morto de fome e no cardápio tinha o meu prato favorito, costela de tambaqui assado, delicia, servi meu prato com água na boca e sentei para devorar o danado, quando de repente uma moça senta bem na minha frente e diz – obrigada, com a cabeça baixa respondi – Não tem de que! Ela riu e disse – não é pelo lugar na mesa, é por ter me deixado de recuperação. Levantei a cabeça com uma cara de espanto e falei – Como é? Ainda rindo ela explicou – Você me deixou de recuperação por não ter lhe entregue os fichamentos de história quando eu estava no ensino médio, hoje faço o primeiro período de direito e da minha turma de mais ou menos 35 alunos sou umas das 10 que passou e adivinha o motivo, por causa do fichamento! Naquela hora olhei fundo nos olhos dela, recordei de onde lhe conhecia, e ainda sentido o cheiro da costela assada me veio uma vontade de dá uma gargalhada, mas dei uma risada discreta, não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo, aquela jovem tinha pedido para o pai transferi-la da escola porque acreditava que eu estava lhe perseguindo e agora ela senta na minha frente e agradece vai entender a ironia do destino. Controlei a vontade de rir e disse – Você é aquela aluna que tentou mudar de escola por causa de mim? Ela respondeu: – Sim, quando se é adolescente é difícil compreender a importância dos estudos para um futuro que parece tão distante! De alguma forma você tentou me alertar pra isso, mas não conseguia ver na época, acredito que seria uma aluna melhor se tivesse a cabeça que tenho hoje.

Porra! Essas palavras bateram forte, estava me perguntando a um bom tempo o motivo dos alunos reclamarem tanto das minhas aulas, confesso que já estava a fim de chutar o balde e largar a sala de aula, aí aparece essa ex-aluna dizendo que é difícil compreender a importância dos estudos para um futuro tão distante ainda mais quando se é adolescente. Foi quando a ficha caiu, estava tão obcecado pelo conteúdo e pela fórmula que tinha esquecido do básico as 35 pessoas que estavam sentadas de farda na minha frente, os estudantes!

Aquele almoço me trouxe um alimento que levei tempo para digerir, pensando bem, acredito que ainda estou digerindo. Percebi que os frutos da educação não são colhidos pelo seu agricultor mais sim diretamente pelo seu consumidor. E, como vivemos em uma sociedade consumista é difícil alguém agradecer ao agricultor pelo alimento que tem na mesa, logo, é raro aquele ou aquela que reconhece a importância do educador em sala de aula.

Essa conversa me fez perceber que realmente toda regra possui sua exceção, e por isso gostaria de agradecer a todos os educandos que se lembraram dos seus professores de alguma forma, saibam que esse reconhecimento é muito importante para renovar o espírito de nossa classe profissional. Nos dias de hoje a carreira de professor não tem muito atrativo, na rede de escolas particulares a grande maioria não paga bem e na rede pública nem se fala. Em fim, boa parte desses agricultores da educação não tem incentivo financeiro para continuar em sala de aula, por isso, torna-se fundamental e urgente, já que o governo e os empresários não valorizam o papel dessa ilustre carreira, que tomemos a cachaça da educação e valorizemos com ideias e atitudes concretas essa atividade milenar de cultivar o saber.