Historia com Farinha

32 anos de vida, luta e conquistas

Há 32 anos ocorria uma das maiores assembleias de professores do Amazonas, e simultaneamente, o governador Gilberto Mestrinho acabava de anunciar em um programa de rádio que iria reprimir qualquer movimento grevista. Minha mãe, Florismar Ferreira, grávida de minha pessoa, não pensou duas vezes e foi ao local da assembleia. Naquela época, meu pai, Jonas Araújo, era um dos dirigentes da Associação de Pais e Mestres do Amazonas, e não pôde ver uma das cenas mais marcantes daquele episódio.

A polícia chegou ao recinto, e pouco tempo depois de minha mãe adentrar, fez um cordão de isolamento e desligou a energia do local – sob ordem do governador, sentou a porrada nas pessoas que estavam no local.

Dona Florismar, no alto de seus 6 meses de gestação, empina a barriga na direção de seu opressor e grita “Bate, bate filha … &%$@$#, mas bate para matar! Porque se eu me levantar, não vou parar!”. O opressor, sem acreditar no que acabava de ver, abaixou o cacetete vagarosamente com uma expressão no rosto que comunicava o espanto de ver uma mulher, negra, gestante, sem temer a luta ou a morte desafiar um homem armado. Estávamos vivendo os últimos instantes do regime militar e o início da abertura política no Amazonas.IMG_20160718_111031[1]

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