Historia com Farinha

No ano de 2013 durante a realização do projeto “A construção da identidade do sujeito histórico a partir da produção de vídeo documentário sobre a realidade escolar” percebeu-se a grande dificuldade dos educandos em estabelecer relações entre fatos históricos e a sua própria realidade. Para supera-las foram realizadas oficinas com dinâmicas e atividades sócio interacionista e o resultado foi altamente positivo. Em função de tudo isso, esperamos com esse projeto realizar atividades e dinâmicas que aliem habilidades, competências e os conteúdos curriculares nacionais de história para o nono ano do ensino fundamental.

 

A importância desse projeto para os educandos

 

Os Parâmetros Curriculares Nacionais voltados para área de Ciências Humanas no ensino básico buscam trabalhar habilidades e competências que promovam de maneira autônoma, por parte do educando, a compreensão do mundo a sua volta. Assim, aprender significa estabelecer relações. Nesse projeto as atividades estarão relacionadas ao universo de conhecimentos, experiências e vivências do educando, para que a partir daí ele possa ir além, ultrapassar o senso comum e se posicionar. Isso não significa que tudo estará diretamente ligado à prática ou à realidade concreta observável, mas permitirá ao educando entender a lógica do que lhe é ensinado a partir do que ele sabe.

As atividades favorecerão o educando a formular problemas e questões que de algum modo o interessem, o envolvam ou que lhe digam respeito, ajudando a construir sua identidade histórica, concebendo esse processo como individual e coletivo ao mesmo tempo, em que a pessoa tende a definir seu lugar social e suas relações com os outros, sendo essa relação com o outro fundamental. Identidade implica numa construção baseada no auto-reconhecimento como pessoa humana e como pertencimento a grupos sociais (família, igreja, gênero, classe/estrato social, etnia).

A visão que o outro tem de nós ajuda-nos a construir a nossa identidade: se vivemos em um ambiente que desvaloriza, discrimina, inferioriza, tendemos a construir uma imagem de incompetente e uma identidade inferiorizada. Daí a importância de um trabalho escolar que coloque o estudante na posição de sujeito que aprende, sendo a sua pessoa e a sua contribuição respeitada e valorizada. A identidade seria, portanto, a concepção que a pessoa ou grupo social tem de si próprio, construída na relação com o outro em constante dinamismo; implica em uma consciência de si e de pertencimento, implica em continuidade e transformação (FREITAS 2006).

 

A análise do vivido deve ser acompanhada pela compreensão de como se produz conhecimento histórico, reconstruindo com os alunos os critérios a partir dos quais os historiadores problematizam a realidade e elaboram explicações. Estudantes e professores, sujeitos concretos, em um tempo-espaço determinado, ocupando posições e estabelecendo relações sociais específicas, problematizam e interrogam o passado, bem como as diferentes interpretações desse passado, elaborando outras leituras da História.

STEPANOU, Maria. Instalando maneiras de ser, conhecer e interpretar.

Revista Brasileira de História. n. 36, v. 18. São Paulo: ANPUH; FAPESP; Humanitas, 1998

Esse projeto será desenvolvido com bolsistas do 9º ano, pois é nesse período que a disciplina de História trabalha com noções e conceitos relacionadas a cidadania, relações de poder; cidade-estado; direitos; relações temporais; burguesia; democracia; movimento popular; iluminismo; revolução; modos de produção; direitos (liberdade, igualdade, direitos sociais).

É nesse período que também se trabalha as seguintes habilidades:

  • Estabelecer relações temporais entre diferentes épocas, entre acontecimentos e contextos históricos.
  •  Ler, interpretar e produzir textos, utilizando diferentes linguagens (imagens, documentos escritos e visuais, textos históricos, mapas, etc.).
  • Pesquisar e coletar dados em diferentes fontes.
  • Perceber as diversas formas de organização das sociedades, formas de dominação, conflitos e confrontos decorrentes e ser capaz de posicionar-se a respeito.
  • Distinguir diferentes versões para um mesmo acontecimento – pontos de vista/ interesses.

Utilizar o conhecimento histórico para assumir compromissos, atitudes éticas e posicionar-se diante de questões referentes à cidadania e à dignidade humanas.

Relevância para a escola

Na dimensão dos alunos, seus conhecimentos, interesses, preocupações e desejos, a intervenção do professor, bem como a troca com seus pares podem fazer com que se sintam envolvidos em um processo vivo, no qual o jogo de interações, conquistas e concessões provocam aprendizagens e o enriquecimento de todos.

Ao investir neste tipo de trabalho escolar estaremos articulando noções e conceitos provenientes das diversas disciplinas do campo das Ciências Humanas, bem como desenvolvimento habilidades comuns que garantam tanto o acesso aos conhecimentos sistematizados quanto aos saberes provenientes de outras esferas do social.

Sendo assim, da reflexão produzida ao decorrer do projeto, com o aporte das noções e conceitos fornecidos pelo saber sistematizado, espera-se a construção de outros saberes e a apropriação significativa do saber propriamente escolar. Tudo isso para construir a possibilidade de os alunos fazerem uma leitura do mundo caracterizada por um “desvelamento” da realidade, trazendo à tona as contradições e os conflitos que permeiam a experiência humana, em tempos e espaços diversos.

Metodologia 

Visto que a pesquisa tem o objetivo de analisar a construção da identidade do sujeito histórico a partir da interação de atividades e dinâmicas sócio interacionistas, utilizaremos no primeiro momento a tomada de conhecimento da bibliografia por parte dos educandos sobre a pesquisa científica.

Trabalharemos com atividades e dinâmicas em todas as etapas para que os educandos e bolsistas se familiarizem com a metodologia que está sendo proposta. A ideia é que essa prática de estudo se torne corriqueira e ao mesmo tempo atraente para os estudantes.

Ao fim do projeto esperamos que os educandos sejam capazes de aplicar, reconstruir e até criar atividades e dinâmicas que possibilitem uma melhor compreensão das habilidades, competências e conteúdos da disciplina de História.

Para atender tais expectativas iremos adotar o método de pesquisa qualitativa, pois dela faz parte a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação objeto de estudo. Assim, é frequente que o pesquisador procure entender os fenômenos, segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada e, a partir daí situe suas interpretações dos fenômenos estudados. Faremos também registro fotográfico e audiovisual das nossas observações nos trabalhos de campo. Após a sistematização de todos esses dados levantados partiremos para a apresentação dos resultados na escola, bem como a elaboração do relatório a ser entregue a FAPEAM.

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