Historia com Farinha

*Jonas Araújo Pereira Júnior

Ao refletir sobre o “papel do educador” dentro da sala de professores de qualquer escola pública é comum ouvir afirmações do tipo “Há, eu já fui assim, isso é só fogo de inicio de carreira” ou então “Quero ver manter essa animação depois de entrar na turma tal”. Essas e outras afirmações são feitas pois no Brasil a educação possui duas faces: a educação prevista e a educação real.

Mesmo assim, arrisco a dizer que é possível desempenhar uma papel protagonista nesse espetáculo que foi transformado a educação brasileira. Não sou do tipo de pessoa que espera pelo reconhecimento da importância da educação por toda a sociedade, sei que a maioria frequentou uma escola que era pouco atrativa e nada tinha a dizer sobre a realidade, mas parafraseando Paulo Freire (2001) “creio que a melhor afirmação para definir o alcance da prática educativa em face dos limites a que se submete é a seguinte: não podendo tudo, a prática educativa pode alguma coisa.”

Os cursos de licenciatura no Brasil tem se preocupado em produzir profissionais competentes na educação prevista (PCNs, LDB, curriculum escolar e etc.), contudo, ao entrar na sala de aula se deparam com educação real, por exemplo, no Amazonas a grande parte dos professores sofrem assédio moral por parte das secretárias de educação em função da conhecida aprovação automática de no mínimo 85% dos alunos nas escolas. Eis aí a contradição da educação brasileira a educação prevista se preocupa com as habilidades e competências dos educandos e a educação real se preocupa com o índice de aprovação dos “clientes”.

Essa contradição somada à desvalorização da carreira do magistério constrói um campo aberto para o pacto da mediocridade que pode ser observado na imagem a baixo.

Imagem

Uma educação medíocre produz pessoas com pensamentos, comportamentos e visões medíocres. O garotinho da imagem por exemplo, chega a conclusão de que a única forma de protestar contra o governo é não lendo jornais, nem acompanhando questões complexas e muito menos votando, ou seja, ele está abrindo mão da CIDADANIA. O questionamento que veio a minha cabeça ao analisar tal figura foi …

…Qual o papel do educador nesse cenário?”.

Acredito que assim como é inadequado pensar em estudantes ideais para organizar currículos, programas e planos de aula, é inadequado pensar o professor ideal para responder aos desafios atuais da educação. Em certo momento da vida Pierre Bourdieu disse “Quem detém a educação, deterá o futuro, pois é o lugar em que se faz o outro pensar como as autoridades querem”.

Na minha pouca experiência com a educação creio que o papel do educador é passar a desbravar essa realidade e apontar possibilidades. Paulo Freire dizia que o ato de ensinar está vinculado ao de aprender, é relacional e exige rigorosidade metódica, é o ato de arriscar-se com o novo e rejeitar qualquer forma de descriminação. Na escola, essa perspectiva implica articular o ensino e a aprendizagem, o conteúdo e a forma de transmiti-lo.

Não tenho uma saída mágica para resolver esse impasse, mas creio que o ponto de início deve ser o fim de afirmações do tipo “Há, eu já fui assim, isso é só fogo de inicio de carreira” ou “Quero ver manter essa animação depois de entrar na turma tal”. Afirmações desse tipo são frutos da contradição educacional. O professor ao concordar com elas na verdade esta comendo desse fruto, ao repetir esta semeando, sugiro então que passemos a buscar uma nova cultura para semearmos nas escolas.

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Comentários em: "Teatro da vida: O papel do educador." (2)

  1. Arline de Souza e Silva disse:

    Ao meu ver, o papel do Professor, abrange um todo, porque toda atividade, que se vai iniciar, exige que esteja na frente, aquele que vai dar o passo definitivo, na vida dos que estão, escalando a carreira para o sucesso. Tudo começa pelo Professor, partindo desta assertiva, o indivíduo, começa a participar, de todo avanço e desenvolvimento cultural. Quanto mais se aprende, mais se quer demonstrar, através da coletividade, no emprego, na faculdade, no grupo de amigos e etc… Por isso, o conhecimento é vital, para todo aquele, que deseja desbravar a sociedade, e atingir a sua finalidade, no ambiente social.
    Vamos destacar aqui, o exemplo, do Filosófo Sócrates, com a sua famosa frase “Só sei que nada sei”. Porque ele se colocava, no meio da multidão de pessoas, para adquirir e transmitir conhecimento, quanto mais ele indagava as pessoas, mas elas, ficavam disponíveis, para passar aprendizado, e receber conhecimento também.
    Só através do conhecimento, que poderemos, transformar o nosso País, em um estado, mais desenvolvido, para assim, nos orgulharmos, de ter construído, uma Nação mais robusta e alicerçada para o crescimento. de cidadãos mais capacitados, para atuarem, em todos os âmbitos profissionais.

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