Historia com Farinha

LucianoHoje foi um dia diferente e histórico para cidade de Manaus. Não poderia ficar de fora deste momento, então fui para a rua. Cheguei na Avenida Eduardo Ribeiro, às 16h, para minha surpresa estava um rio de pessoas, diversos cartazes, muito barulho e gritos de ordem. Tudo era motivo para gritar: alguns pedaços de papeis jogados de um prédio, gritos, o helicóptero de reportagem da televisão passando, gritos, terminar de cantar o Hino Nacional, nem se fala, mais gritos. Mas havia algo estranho quanto ao Hino Nacional do Brasil, a banda da Polícia Militar tocava e o povo emocionado cantava e aplaudia. No primeiro momento pensei: “Do caralho, a moçada tá fazendo uma manifestação verdadeiramente pacífica, cantam o hino ao lado da PM”. Beleza, estamos levando ao extremo o grito de guerra “sem violência”! Mas, depois do Hino Nacional, a PM começou a tocar o Hino da Independência do Brasil, Hino à Bandeira Nacional, Hino do Amazonas – este último para a nossa vergonha foi o único que o povo não cantou, quem sabia cantou apenas o refrão: “Amazonas e bravos que doam/ Sem orgulho, sem falsa nobreza/ Aos que sonham seu canto de lenda/ Aos que lutam mais vida e riqueza.”, – neste momento lembrei das aulas de O.S.P.B (Organização Social e Política Brasileira), que tive na 8ª Série. Entretanto, a questão é: quem foi o “gênio” que teve a ideia de infiltrar a Banda da PM no meio do povo? Uma ideia ousada e perigosa, que funcionou de imediato, perfeitamente. O povo seguia a PM como o conto dos Irmãos Griim, O flautista mágico. Uma tragédia! Pior foi quando a banda começou a tocar a machinha de carnaval: “Se a canoa não virar/ olê, olê, olê, olá/ eu chego lá”. O povo cantava e a banda da PM continuava hipnotizando. A revolução com carnaval, só terminou quando um grupo de garotos começaram a berrar com todas as forças: “Não é carnaval! não é carnaval! não é carnaval”! O povo parece que saiu do transe e voltou para a realidade, repetindo o grito de ordem dos garotos.
A ideia de colocar os PMs no meio da manifestação foi de extrema irresponsabilidade, poderia ter gerado o caos, imagina a carnificina se houvesse um grupo de garotos mal intencionados – e tinha – ansiosos para realizar uma manifestação mais radical? Felizmente, neste momento não aconteceu nada. Como diria Raul Seixas na música Não fosse Cabral: “Falta de cultura, para cuspir na estrutura”. Ninguém cuspiu na estrutura do Estado. Seguia a manifestação pacificamente.
Antes da estratégia de usar a banda da PM na manifestação, o prefeito de Manaus, Arthur Neto e o Governador do Amazonas, Omar Aziz, tiveram a malícia de cancelar as aulas do turno vespertino e matutino das escolas públicas da SEMED/SEDUC. Em um jogo de xadrez, chamaria esta estratégia de xeque, mas não de xeque-mate. Quem deu o xeque-mate no final, foi o povo que compareceu e ganhou as ruas. Converso que depois do episodio constrangedor da Banda da PM, assim como a desorganização da manifestação – ninguém sabia que rumo seguia, faltou divulgar o percurso, ter um horizonte para ir -, acabei voltando para casa, consciente que fiz a minha parte. Estive presente neste momento importante para o Brasil.
Durante a minha vida política, por três vezes eu chorei. A primeira foi quando fui detido em uma manifestação em 1996, eu e mais um grupo de adolescentes fechamos a Avenida Grande Circular; a segunda foi quando Fernando Henrique Cardoso ganhou a reeleição no primeiro turno contra o Lula, em 1998, naquela época o PT e o PC do B ainda não tinha matado as minhas utopias; e a terceira foi com Serafim Corrêa que ganhou a eleição para prefeito de Manaus do grande cacique do Amazonas, Amazonino Mendes, em 2004. No dia da vitória, em frente ao TRE, todos que estavam presentes cantaram com orgulho o Hino Nacional e choramos juntos, foi incrível. Hoje pensei que iria chorar de emoção mais uma vez, não chorei, não rola revolução com carnaval. Mas o sentimento de orgulho e de patriotismo que estou sentindo agora, nem a banda da PM tocando “Maluco Beleza” e “Que país é este?” pode me tirar!

*Texto de Luciano Roberto

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Comentários em: "Arthur Neto, Omar Aziz e a revolução com carnaval" (2)

  1. … Sem Palavras Realmente Emocionada 🙂

  2. — Jonas Falou tudo#

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