Historia com Farinha


* Jonas Araújo Pereira Júnior
Atualmente o ensino de história vem ganhando novos contornos, e é dever do educador acompanhar essas mudanças. Claro que sempre tomando o cuidado de não ser um reprodutor de mecanismos educacionais, mas sim, um agente crítico desse processo.
A sociedade pós-moderna instituiu a ditadura da imagem, onde a embalagem tem mais valor do que o produto. Ao contrário do que o senso comum indica esse fenômeno não quer dizer que estejamos vivendo em uma sociedade com uma produção cultural e intelectual frágil, o que acaba por ocorrer é que foi construída uma grande indústria por traz daquilo que observamos em um cartaz ou assistimos nos programas televisivos.
Nessa dimensão, ocorre que o cotidiano já é história vivemos na sociedade do imediatismo onde tudo é pra ontem, nada é duradouro e tudo é descartável. Mais espera aí, quem inventou isso? Como de repente os valores se modificaram radicalmente em um curto espaço de tempo? De que maneira a sociedade reagiu e vem reagindo diante dessas transformações?
A resposta é curta e complexa meios de comunicação de massa. A elite globalizada percebeu que é bem mais eficiente e lucrativo investir na manipulação dos olhos e das mentes do que investir na repressão física direta. Em fim parece fazer sentido o dito popular “uma imagem fala mais que mil palavras”.
É Justamente nesse momento que surge a necessidade de trabalhar a produção de vídeos dentro das aulas de história, essa convicção surgiu do seio de um debate, muito intenso por sinal, ocorrido durante o I Congresso de Estudantes de História da UFAM realizado pela gestão Impetro do Centro Acadêmico Cultural de História do Amazonas o CACHA(2008).  Na mesa estavam o Msc. Macário,  a Dr. Maria Eugenia e o então acadêmico Jonas Araújo, o tema do debate era “O papel do historiador na sala de aula” em meio a tantas discussões surgiu um discurso inusitado, de alguém que estava bem distante de nossa realidade física, porém, bem próximo das preocupações que nos cercavam era o depoimento de vida de um dos mais importantes historiadores de nossa geração Eric Hobsbawm:
Nessa situação os historiadores se vêem no inesperado papel de atores políticos. Eu costumava pensar que a profissão de historiador, ao contrário digamos, da de físico nuclear, não pudesse pelo menos, produzir danos. Agora sei que pode. Nossos estudos podem se converter em fábricas de bombas, como os seminários nos quais o IRA aprendeu a transformar fertilizante químico em explosivos. Essa situação nos afeta de dois modos. Temos uma responsabilidade pelos fatos históricos em geral e pela crítica do abuso político ideológico da história em particular. (HOBSBAWM 1998, p.17-18).
Mais o que adianta um discurso desse tipo feito por um professor graduado dentro de uma escola de realidade periférica e marginalizada, onde boa parte dos alunos são analfabetos funcionais? Certamente teria pouco efeito, agora imagine fomentar essa mesma comunidade escolar a produzir vídeos e fotografias que retratem os problemas de sua comunidade ou cidade relacionando com os problemas sociais do início da república brasileira. Experimente propor que essa comunidade se divida em pequenos grupos, onde deveram escolher um programa de TV, de preferência o mais assistido naquela comunidade, e em seguida montar sinopse, roteiro, storyboad, edição e etc para adaptar o dito programa a realidade da comunidade e do tema histórico estudado.
Por meio dessa prática pedagógica o professor pode criar condições para que o educando possa sentir-se protagonista no estudo da história e ao mesmo tempo que passe a olhar de maneira mais crítica a sua realidade e aquilo que assiste nos meios de comunicação.
Logo, logo estará disponível nesse blog exemplos de sinopse, roteiro e storyboad.
Contestado: Jornal nosso Brasil, feito pelos alunos do 9 Ano do Ensino Fundamental 

Discovery Cest: Tribunal de Nuremberg

* Graduado em história pela Universidade Federal do Amazonas, especialista em ética e política pela Serviço de Ação e Reflexão Social da Amazônia, professor da rede municipal de ensino em Manaus, professor da rede estadual de ensino do Amazonas e professor assistente da Universidade Estadual do Amazonas.
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Comentários em: "A importância da produção de vídeos nas aulas de história" (1)

  1. Muito bom Jonas! Apenas corrigindo, o CACHA agora chama-se apenas Centro Acadêmico de História. Esta mudança ocorreu no II Congresso e o regime é semi-presidencialista.

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